Patricia Lamounier – O Lago Titicaca (Titiqaqa na língua quíchua) está localizado a 3.812 m acima do mar, no altiplano dos Andes, entre Peru e Bolívia. Com seus 175 km de comprimento e 8.300 km2, é o maior e o mais alto lago navegável do mundo. Sua profundidade média é de 160 m, podendo atingir uma máxima de 280m, dependendo do trecho.

Este lago de água doce é alimentado pelas águas da chuva e pelo degelo das geleiras que cercam o altiplano. 25 rios deságuam no Titicaca.

Diz a lenda que o “Deus Sol” instruiu seus filhos para que procurassem um lugar perfeito para criar e estabelecer seu povo. O local escolhido para começar a civilização inca foi uma ilha no Lago Titicaca, que se tornou o berço e lar deste povo, até a invasão espanhola no século XVI.

O lago é conhecido pelos habitantes da região por vários nomes mas a origem do nome Titicaca é desconhecida. Titicaca quer dizer “Puma Cinza” na língua aimará.

QUANDO IR

A melhor época para conhecer o Lago Titicaca é entre os meses de abril e junho, quando o clima está mais agradável. Algumas pessoas recomendam ir entre maio e setembro, no inverno, época mais seca. Entre outubro e fevereiro chove muito. Além disso, é quente e úmido. No verão são frequentes as tempestades sobre o lago.

Eu, pessoalmente, sou daquelas: vá quando der ou puder! Mas vá!!

COMO CHEGAR

fila para pegar as balsas para as ilhas no lago Titicaca, cidade de Puno, Peru

Turismo no Lago Titicaca: fila para pegar as balsas para as ilhas, cidade de Puno, Peru (Foto: Patricia Lamounier)

Existem diversas possibilidades para visitar as ilhas do Lago Titicaca. As 2 mais utilizadas são pela Bolívia através da cidade de Copacabana ou pelo Peru, pela cidade de Puno.

Eu visitei o lago por Puno.

Em Puno existem diversas agências de viagens que fazem excursões de 1 ou 2 dias para as ilhas.

Se desejar e tiver tempo, pode ir de forma independente. As passagens são compradas no próprio porto das balsas e tem validade de 15 dias.

AS ILHAS DO LAGO TITICACA

Este lago possui 41 ilhas povoadas e todas contribuem para ser uma grande atração turística, trazendo gente do mundo inteiro para conhecer o lago, a cidade de Puno (ou Copacabana na Bolívia) e seus arredores.

As ilhas são famosas, não só pela beleza e tranquilidade, mas também pelas tradições mantidas.

As mais conhecidas e visitadas são Uros, Taquile e Amantaní. Os habitantes são muito corteses e educados.

A ilha Taquile recebe diariamente centenas de turistas, mas seus moradores não gostam de tirar fotografias. Se deixar fotografar. Prepare algum dinheiro por foto!!!

ILHAS UROS

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Turismo no Lago Titicaca: Ilha Uros, Peru (Foto: Patricia Lamounier)

As Ilhas Uros, conhecidas também como ilhas flutuantes, começam a ser avistadas a, aproximadamente, 6 km a leste de Puno. São simplesmente incríveis. São confeccionadas de uma espécie de junco, que cresce nas águas rasas do lago: a totora.

As ilhas são construídas sobre muitas camadas de totora e sua extensão é de somente alguns metros quadrados. À medida que as totoras do fundo vão apodrecendo, as da superfície são constantemente renovadas. Por isso o chão é sempre mole, fofo e um pouco úmido.

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Várias ilhas flutuantes, turismo no Lago Titicaca, Peru (Foto: Patricia Lamounier)

Cada ilha é habitada por 3 a 10 famílias uroaymaras. A vida dos Uros está diretamente ligada à totora, um caniço com gosto de palmito que é usado para fazer casas, barcos e artesanato.

Quando se chega às ilhas para visitá-las, os moradores já estão a postos. Uma explicação sobre os costumes, modo de vida e como construir uma ilha é ofertada pelo “chefe da ilha”. Logo depois desta aula, os turistas são “convidados” para um passeio de barco feito de totora.

Ao retornar do passeio, os visitantes encontram uma pequena feira de artesanato improvisada pelos moradores. São bordados e objetos coloridos. Os Uros também mostram suas casas, sua vida e sua produção. É tudo muito simplório e singelo!

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Turismo no Lago Titicaca: feirinha improvisada para a venda de artesanato produzido pelos habitantes das ilhas (Foto: Patricia Lamounier)

Os Uros sobrevivem da visita diária dos turistas!

É possível dormir nas ilhas, mas lembre-se: não existe banheiro e tudo ali é totora!!!

Conhecer as tradições e culturas desta gente que ainda vive da pesca e da agricultura é uma riqueza impar!

ILHA TAQUILE

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Um dos portais da Ilha Taquile,turismo no Lago Titicaca, Peru (Foto: Patricia Lamounier)

A ilha Taquile tem 7 km2 e cerca de 2,2 mil habitantes. O visual da ilha é lindo, maravilhoso! Exceto pela subida. Esta é de matar qualquer mortal. O passo deve ser bem devagar e continuo. Respira, respira, respira e anda devagar! Me distrai e dei uma estirada. Fiquei sem ar! Meu coração disparou e eu quase não consegui respirar. Por pouco não entrei em pânico!!!

Nem folha de coca, bala de coca ou chá de coca ajudaram neste caso. A questão ali não foi a tonteira, a dor de cabeça ou o enjoo. Foi a falta de ar causada pelo mal da altitude (ou soroche de acordo com os peruanos)! O ponto mais alto da ilha tem 4.050 m. Confesso: a sensação é muito, mas muito ruim!

O turista consegue chegar ao topo da ilha por 3 caminhos diferentes. Pegue o de menos subida íngreme! Pelo caminho você encontrará moradores, turistas, ambulantes e poderá desfrutar de lindas paisagens…

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Habitante da ilha com a filha: deixando serem fotografadas! (Foto: Patricia Lamounier)

O visual lá de cima é realmente maravilhoso! Cada trecho uma vista, cada paisagem uma foto diferente. A ilha é de uma beleza natural de tirar o fôlego – duplamente!

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Patricia Lamounier e Ana Coser turistando nas ilhas Taquile, Lago Titicaca, Peru (acervo pessoal)

A língua falada entre eles é o quíchua. A cultura, tradição e costumes sociais estão arraigados neste povo. Raramente eles se casam com uma pessoa de fora da comunidade. O divórcio não é aceito por eles. Por isto, vivem juntos com os parceiros ou parceiras durante algum tempo. E quando decidem casar, a festa de casamento dura dias e a comunidade inteira da ilha é convidada.

AS INDUMENTÁRIAS MASCULINA & FEMININA

Sua indumentária no dia a dia ainda é preservada. Os homens usam um gorro de lã que eles mesmos tecem. Vermelho e bordado se forem casados e vermelho e branco se estiverem disponíveis. A posição do gorro na cabeça determina se o homem está á procura de uma moça para casar. A camisa rústica é impecavelmente branca e as calças sempre pretas. Eles usam umas bolsinhas na cintura para levar folhas de coca. Quanto mais bolsinhas um homem tiver, mais amado pela esposa ele é!!!

As mulheres usam saias pretas toda ornada com bordados bem coloridos. São camadas e camadas de saias. São elas que tecem os cinturões grossos e coloridos que os maridos usam. Também trajam mantos pretos com pompons. É solteira, se o manto tiver muitos pompons!!

O pacote que minha amiga de viajem e eu compramos estava incluído o almoço em uma das residências. Almoçamos num terraço de uma casa, debaixo de uma tenda com vista para o Titicaca. Pudemos escolher peixe ou omelete. Tudo estava saboroso. Depois do almoço tivemos uma pequena explicação sobre a ilha, sua cultura e tradição.

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Apresentação folclórica na ilha Taquile, Lago titicaca, Peru (Foto: Patricia Lamounier)

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Habitante da ilha tocando “guitarra” durante as explicações sobre os costumes e tradições (Foto: Patricia Lamounier)

Ao nos despedirmos do pessoal da casa, subimos um pouco mais e chegamos á praça da vila. Ali existe uma pequena loja com os famosos gorros e cintos que os Taquiles usam. O artesanato e a tecelagem da ilha é muito valorizado no Peru. Em 2008 a Unesco declarou a técnica como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Os turistas podem circular livremente pela ilha, explorar as ruínas e desfrutar do visual. Dizem que o por do sol visto da ilha é indescritível. Infelizmente não pudemos vê-lo. Nosso vôo seria na mesma noite.

A descida foi pelo outro lado. Foi aí que descobri a possibilidade dos 3 caminhos e fiquei agradecida. O caminho que percorri para descer, é o inferno de difícil para subir!

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Ilha Amantaní

Com 4 mil habitantes e 9 km2, a Ilha Amantaní é a maior e a mais distante de todas as 3 ilhas. Está a 36 km da cidade de Puno. Normalmente o turista que vai para Amantaní pernoita. Os visitantes ajudam os nativos a cozinhar em fogueiras no chão de terra, aprendem as danças tradicionais e viram a noite em uma farra muito boa!

Uma curiosidade: cachorros não são permitidos nesta ilha!

Por causa do roteiro da viagem, infelizmente não deu para conhecer a Ilha Amantaní. Ficou para a próxima!